Quem vive de dirigir tem um problema conhecido: o carro é a ferramenta de trabalho, e trocá-lo custa caro.

O que é o Move Brasil

É uma linha de crédito criada pelo governo federal para que taxista, motorista de aplicativo e cooperativa de táxi comprem carro novo em condições melhores que as do financiamento comum — prazo mais longo e a possibilidade de só começar a pagar meses depois.

Quem empresta o dinheiro continua sendo o banco. O que o governo faz é fixar as regras do programa, por meio do Conselho Monetário Nacional, o órgão que define as condições de crédito no país. São essas regras que acabaram de mudar.

O que mudou nesta semana

O Conselho aprovou as mudanças em reunião extraordinária na quinta-feira, 27 de agosto.

O que mudou

Prazo: de 72 para 84 meses. São 12 parcelas a mais para diluir o mesmo valor.

Teto do veículo: de R$ 150 mil para R$ 200 mil. O programa passa a alcançar carros que antes ficavam de fora pelo preço.

Segue valendo a possibilidade de até seis meses de carência para o pagamento do valor principal — período em que o beneficiário ainda não começa a quitar essa parte da dívida.

Quem pode usar

Taxistas, motoristas de aplicativo e cooperativas de taxistas. O crédito é para veículo novo destinado ao transporte individual de passageiros.

O que isso muda na conta

Um prazo maior reduz o valor da parcela mensal, e é exatamente esse o objetivo declarado da mudança: caber no orçamento de quem tem renda variável.

O outro lado da mesma moeda merece atenção antes da assinatura: mais meses de contrato significam mais juros pagos no total. A parcela menor não é desconto — é diluição. Para quem depende do carro para trabalhar, a pergunta certa não é apenas "cabe no mês?", mas "quanto custa o carro inteiro ao fim dos 84 meses?".

Peça ao banco o Custo Efetivo Total e o valor somado de todas as parcelas nas duas hipóteses, 72 e 84 meses. A diferença aparece ali, não na simulação da mensalidade.

Por que o teto subiu

Levantamento do Ministério da Fazenda com base nos emplacamentos de 2025 mostrou que o limite anterior, de R$ 150 mil, alcançava cerca de 63% do mercado analisado.

Com a inclusão da faixa entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, outras 486 mil unidades passam a caber no critério de preço, e a cobertura sobe para aproximadamente 88%.

O que conferir antes de assinar

  • CET, não só a taxa. O Custo Efetivo Total inclui tarifas e seguros embutidos.

  • Seguro prestamista. É comum ele entrar no contrato sem que o comprador perceba; tratamos do assunto em Seguro prestamista.

  • Alienação fiduciária. O carro fica em garantia até a última parcela. Atraso relevante autoriza a busca e apreensão do veículo — e sem o carro não há renda para pagá-lo.

  • Carência não é pausa gratuita. Durante os seis meses, os juros continuam correndo sobre o saldo.

O que isso não significa

Não significa crédito aprovado. O programa define as condições; a análise continua sendo do banco, com as garantias de sempre.

Não significa que todo carro de até R$ 200 mil entra. O critério de preço é um dos requisitos, não o único.

Não significa vínculo de emprego com o aplicativo. A discussão sobre o vínculo de quem dirige por plataforma corre em outro lugar, e está em Trabalho por aplicativo.