O Detran-MS abriu um leilão com 103 veículos que podem voltar a circular — 88 motocicletas e 15 automóveis. Os lances são pela internet e o prazo é curto: encerra em 10 de setembro, às 15h.

O que está sendo vendido

São veículos que foram apreendidos ou recolhidos aos pátios do órgão e não retirados pelos donos. Passado o prazo legal, o Detran leva a leilão para liberar espaço e recuperar o que se gastou com remoção e guarda.

O detalhe que decide se o negócio interessa está no tipo do leilão. O Detran realiza três, ao mesmo tempo e com editais separados:

  • Circulação — veículo conservado, que pode ser transferido e voltar a rodar. É o caso destes 103 lotes.

  • Sucata aproveitável — vendido para aproveitamento de peças, não volta a circular.

  • Sucata inservível — destinado à reciclagem, sem qualquer possibilidade de retorno à rua.

Quem quer um carro para usar precisa estar no leilão de circulação. Arrematar sucata achando que é carro para andar é o erro mais caro que se comete aqui, e ele é irreversível.

Os veículos vêm de pátios de 18 municípios, entre eles Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá, Aquidauana, Coxim, Paranaíba e Ribas do Rio Pardo — mas a visitação e a entrega são concentradas em Campo Grande e Dourados.

As datas

  • Lances: abertos desde 27 de agosto, encerram em 10 de setembro, às 15h (horário de Brasília)

  • Visitação: 8 e 9 de setembro, das 9h às 11h e das 13h às 17h

  • Onde ver: pátio PMAX Campo Grande, na Rua Gigante Adamastor, 16, Jardim Santa Felicidade; e pátio PMAX Dourados, na Avenida Moacir Djalma Barros, 11.355, Núcleo Colonial

Depois do encerramento não há mais visitação. Quem não for nos dois dias dá lance sem ter visto o veículo.

Como participar

  1. Acesse o site do leiloeiro oficial, marcaleiloes.com.br, e faça o cadastro — é gratuito.

  2. Envie os documentos: pessoa física manda RG, CPF e comprovante de residência com no máximo 90 dias (ou declaração de residência de próprio punho); pessoa jurídica manda contrato social, CNPJ e documentos do sócio.

  3. Liberado o cadastro, os lances são dados pelo site, com login e senha.

  4. Consulte o edital completo antes de decidir: é nele que estão o preço mínimo e o memorial descritivo de cada lote. Ele está no site do Detran-MS e no do leiloeiro.

Não podem participar servidores do Detran e seus parentes até segundo grau, o leiloeiro e sua equipe, menores de 18 anos e — ponto que costuma surpreender — os atuais proprietários dos veículos leiloados.

O que se paga além do lance

Esta é a parte que transforma "arrematei barato" em "saiu caro":

  • 5% de comissão do leiloeiro, sobre o valor da arrematação

  • IPVA proporcional e licenciamento conforme o calendário

  • seguro obrigatório

  • taxas de transferência e de vistoria, incluindo laudo e, quando exigido, INMETRO

  • remoção do veículo do pátio, por conta do arrematante

E o prazo aperta: o pagamento tem de ser feito em até 24 horas. Quem arremata e não paga leva multa de 20% do valor do lote, mais a comissão do leiloeiro, e fica um ano impedido de participar de leilões do Detran-MS.

Depois de pago, o bem é entregue em até 15 dias úteis, e a retirada tem de acontecer em até 5 dias úteis a partir do início da entrega — passado esse ponto, começa a correr R$ 20 por dia de estadia. Quem não retirar em 30 dias corridos perde tudo o que pagou, e o veículo volta ao próximo leilão.

O golpe que existe justamente por causa disso

O próprio Detran-MS já alertou: pátio credenciado não realiza leilão. Quem oferece veículo "direto do pátio", por rede social ou WhatsApp, sem edital publicado e sem leiloeiro oficial, está aplicando golpe.

Leilão do Detran tem edital no Diário Oficial, leiloeiro matriculado na Junta Comercial e site próprio. Se não houver os três, não é leilão.

O outro lado: o dinheiro que sobra é do antigo dono

Se o seu carro foi para leilão, ainda há uma conta a fazer — e ela pode ser a seu favor.

Do valor do arremate são descontadas as despesas e os débitos do veículo: diárias de pátio, guincho e multas. O que sobra pertence ao antigo proprietário. Em junho, o Detran-MS publicou no Diário Oficial uma lista com 250 ex-donos nessa situação.

O prazo para pedir é de até cinco anos, contado da homologação do leilão. O pedido se faz com formulário próprio, disponível no Portal Meu Detran, no campo "Veículo", aba "Formulários", com o nome "Solicitação de Restituição de Saldo Remanescente de Veículo Leiloado pelo Detran-MS".

É dinheiro que fica parado esperando alguém pedir. Quem teve veículo leiloado nos últimos cinco anos deveria conferir a lista.

O que isso não significa

Não significa que todo lote é oportunidade. Preço mínimo baixo costuma vir acompanhado de veículo parado há anos, sem chave, sem bateria e com peça faltando. O único jeito de saber é a visitação.

Não significa que o veículo vem sem burocracia. A transferência é obrigação do arrematante, com custo e prazo próprios.

Não significa que dá para revender antes. O edital proíbe ceder, permutar ou vender o direito antes da retirada e da transferência.

Se o seu caso é o inverso — o veículo ainda está no pátio e você quer evitar que chegue ao leilão —, o caminho está em Carta do Detran.