Batida sem ferido parece problema pequeno. Só que é nos trinta minutos seguintes que se define quem vai pagar o conserto — e a maioria das pessoas usa esse tempo discutindo em vez de registrando.
Primeiro: segurança
Antes de qualquer foto ou discussão.
Ligue o pisca-alerta
Posicione o triângulo a uma distância que dê tempo de reação a quem vem atrás — em rodovia, bem mais longe do que parece necessário
Se houver risco, saia da pista e afaste-se do veículo pelo lado protegido
Havendo qualquer ferido, ainda que aparentemente leve, acione o socorro. Deixar de prestar socorro tem consequência grave
Segundo: não tire os carros ainda
Este é o erro mais caro. A posição final dos veículos é a principal prova da dinâmica do acidente, e ela some no instante em que alguém sai do lugar.
Se a via permite e não há risco, registre antes de mover. Se for obrigatório desobstruir, fotografe rapidamente a posição antes e explique isso depois.
Terceiro: a prova
Fotografe, mesmo que pareça exagero:
Posição final dos dois veículos, de longe e de vários ângulos, com o entorno aparecendo
Danos de perto, nos dois carros, e também as partes sem dano
Placas dos dois veículos
A via: sinalização, semáforo, faixa, buraco, óleo, marcas de frenagem
Condição do tempo e iluminação
E o item que mais falta: testemunhas. Nome e telefone de quem viu. Não é preciso pedir depoimento no local — só o contato. Testemunha é o que decide quando as duas versões se contradizem.
Anote ainda: nome completo, CPF, telefone, placa, seguradora e número da CNH do outro condutor. Fotografe o documento dele em vez de anotar; erra menos.
Quarto: o boletim de ocorrência
Em acidente sem vítima, o registro nem sempre é obrigatório, mas quase sempre vale a pena. Ele documenta data, local, versão das partes e existência do fato.
Duas situações em que ele deixa de ser opcional na prática:
O outro condutor se recusa a fornecer dados ou vai embora
Há divergência sobre quem deu causa
Em vários estados dá para registrar boletim eletrônico pela internet, dentro de um prazo. Verifique o prazo do seu estado — perdido, o registro tende a exigir ida à delegacia.
Se houver suspeita de embriaguez do outro condutor, chame a autoridade de trânsito no local. Constatação posterior é quase impossível.
Quinto: o seguro
Comunique a seguradora ainda no local, se possível. As apólices costumam exigir aviso imediato, e a demora dá margem a discussão sobre cobertura.
Se o culpado foi o outro e ele tem seguro, existem dois caminhos:
Acionar o seu próprio seguro e pagar a franquia, deixando a seguradora cobrar o responsável depois. É mais rápido, e a franquia costuma ser devolvida se a cobrança der certo.
Cobrar diretamente a seguradora dele. Não paga franquia, mas depende da colaboração do outro condutor em abrir o aviso de sinistro.
Se o outro não tem seguro, a cobrança é dele mesmo — e aí o registro que você fez no local passa a ser tudo o que você tem.
O que evitar
Assinar declaração de culpa no local. Assumir responsabilidade por escrito, no calor do momento, dificulta muito rediscutir depois.
Acordo de boca. Se for resolver amigavelmente, escreva: quem, quanto, quando, e quitação apenas do que está sendo tratado.
Aceitar orçamento do outro sem conferir. Peça orçamento em oficina de sua confiança, com peças discriminadas.
Consertar antes de documentar. Uma vez consertado, provar a extensão do dano fica muito mais difícil.
Depois
Guarde tudo: fotos, boletim, orçamentos, notas do conserto, comprovantes de despesa com transporte enquanto o carro esteve parado, e o registro de qualquer contato com o outro condutor ou com a seguradora.
Se o veículo é seu instrumento de trabalho, some o que deixou de ganhar no período parado — isso é cobrável, e é justamente o que mais se perde por falta de comprovante.
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