Mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante de órgão no Brasil — cerca de 45 mil só na fila por um rim. Desde 2024, existe um jeito gratuito e totalmente on-line de formalizar a intenção de ser doador: a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), feita pelos cartórios de notas. Mais de 32 mil pessoas já usaram o serviço.

O procedimento é simples. Pela plataforma Aedo, disponível no e-Notariado, o interessado preenche os dados e escolhe um cartório. Depois, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar identidade e a vontade de doar. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, consultável por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. Tudo sem precisar ir presencialmente ao cartório.

É possível escolher especificamente quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar — e revogar a autorização a qualquer momento, também pela plataforma.

O detalhe que muda tudo na prática: a família decide

Mesmo com o registro formalizado, a retirada de órgãos após a morte no Brasil depende da concordância da família. A taxa média de recusa familiar gira em torno de 45% — e o principal motivo apontado é o desconhecimento sobre a vontade de quem morreu, seguido de dúvidas sobre o procedimento. Ou seja: registrar sozinho, sem conversar com a família, reduz bastante o efeito prático da manifestação.

O que fazer

  1. Acesse a plataforma Aedo pelo e-Notariado e escolha um cartório — o procedimento é gratuito e pode ser feito de casa.

  2. Depois de formalizar, converse com a família sobre a decisão. É essa conversa, mais do que o documento, que evita a recusa na hora em que ela importa.

  3. Se quiser limitar a doação a órgãos ou tecidos específicos, isso pode ser definido no próprio cadastro.

  4. A autorização pode ser revogada a qualquer momento pela mesma plataforma, sem burocracia.

O que isso não significa

Não significa que o registro sozinho garante a doação. A família mantém o poder de decisão final no momento da morte, independentemente do que está formalizado.

Também não significa que é preciso ir a um cartório físico. Todo o processo, incluindo a confirmação de identidade, acontece pela internet, por videoconferência com o tabelião.